Dose Certa

A importância do Dia do Orgulho Autista

Celebrar o Orgulho Autista é reconhecer a neurodiversidade 

No dia 18 de junho, comemora-se o Dia Mundial do Orgulho Autista, uma data que vai além da conscientização: ela propõe uma mudança de perspectiva. Criado em 2005 pelo grupo britânico Aspies for Freedom, o movimento nasceu com o objetivo de desafiar o estigma e reforçar que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) não é uma condição a ser “corrigida”, mas sim uma forma legítima de existir no mundo. 

A ideia central do orgulho autista está na valorização da neurodiversidade, um conceito que reconhece que diferenças no funcionamento neurológico são parte natural da variação humana, assim como a diversidade genética ou cultural. O foco não está apenas em diagnóstico e tratamento, mas também em respeito, inclusão e acessibilidade. 

O que é o TEA e por que ainda enfrentamos tantos desafios? 

O Transtorno do Espectro Autista é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por padrões específicos de comportamento, comunicação e interação social. O termo “espectro” reflete justamente a diversidade de manifestações: há pessoas autistas que precisam de apoio intensivo para atividades cotidianas, enquanto outras têm alta autonomia, mas ainda enfrentam desafios significativos em ambientes sociais ou sensoriais. 

Estima-se que cerca de 1 em cada 100 pessoas no mundo esteja no espectro, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o Censo 2022 passou a incluir perguntas relacionadas ao autismo pela primeira vez, o que reforça a necessidade urgente de dados mais precisos sobre a população autista no país. 

Apesar de avanços importantes, o acesso ao diagnóstico ainda é desigual. Muitos autistas, especialmente meninas, pessoas negras e adultos, enfrentam barreiras tanto na identificação do transtorno quanto no acesso ao tratamento. Além disso, o preconceito e a desinformação ainda impactam negativamente a qualidade de vida dessas pessoas, gerando exclusão escolar, desemprego e falta de apoio nos serviços de saúde. 

Direitos garantidos por lei e o que ainda falta 

No Brasil, a Lei nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, é um marco legal importante na defesa dos direitos das pessoas com TEA. Ela estabelece a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, garantindo o acesso à educação, saúde, diagnóstico precoce e inclusão no mercado de trabalho. 

Porém, como apontam relatórios de entidades como o IBGE e o Instituto Alana, ainda há uma grande distância entre a legislação e a realidade. Um estudo de 2023 divulgado pelo Diário PcD, por exemplo, revelou que 8 em cada 10 profissionais autistas estão desempregados no Brasil. A dificuldade de inclusão vai desde a falta de formação das equipes até ambientes de trabalho inadequados para pessoas com sensibilidades sensoriais. 

Outro ponto crítico é o subdiagnóstico em adultos. Muitas pessoas só descobrem que estão no espectro depois dos 30 ou 40 anos, geralmente após o diagnóstico de um filho. Isso reforça a importância da capacitação de profissionais de saúde e da ampliação de políticas públicas voltadas também para adultos autistas. 

Como promover uma sociedade verdadeiramente inclusiva 

Informar-se é o primeiro passo. A inclusão de pessoas autistas exige uma mudança cultural que começa com o reconhecimento de que o problema não está no indivíduo, mas em um ambiente que não considera suas necessidades. 

Ambientes sensoriais adaptados, linguagem acessível, educação inclusiva e políticas públicas com participação ativa da comunidade autista são elementos-chave. Empresas, escolas, serviços de saúde e governos têm um papel fundamental na construção dessa mudança. Mas a transformação só será possível se houver engajamento social amplo, baseado em respeito, escuta e abertura para a diversidade. 

Conclusão 

Celebrar o Dia Mundial do Orgulho Autista é reconhecer que inclusão não se faz apenas com boas intenções, mas com informação, estrutura e respeito. É lembrar que pessoas autistas não precisam se adaptar a um mundo que as exclui, é o mundo que precisa ser redesenhado para acolher todas as formas de existência. 

A Raia Dose Certa acredita que o acesso à saúde, à informação de qualidade e ao uso consciente de medicamentos são pilares para uma sociedade mais justa. Apoiar o orgulho autista é parte dessa missão: promover o cuidado com empatia, ciência e inclusão. 

 

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Automedicação em ambientes coletivos: quais os riscos?
Entenda os riscos da automedicação em ambientes de cuidado coletivo e como garantir mais segurança no uso de medicamentos.

Automedicação em ambientes coletivos: quais os riscos?

Em ambientes de cuidado coletivo, como instituições de longa permanência, residenciais compartilhados ou casas com múltiplos cuidadores, a automedicação pode parecer uma solução rápida para sintomas simples.

Mas essa prática traz riscos importantes, especialmente quando envolve pessoas mais vulneráveis, como idosos ou pacientes com doenças crônicas.

Nem sempre o que “sempre funcionou” continua sendo seguro.

Por que a automedicação é mais delicada nesses ambientes?

Em contextos coletivos, o cuidado costuma envolver diferentes profissionais, familiares ou cuidadores. Quando alguém decide oferecer um medicamento por conta própria, sem orientação, podem ocorrer falhas como:

  • Duplicidade de medicamentos

  • Interações medicamentosas

  • Doses inadequadas

  • Uso de remédios contraindicados para aquela condição

Além disso, muitas pessoas nesses ambientes já utilizam múltiplos medicamentos diariamente, o que aumenta o risco de efeitos adversos.

Polifarmácia e interações medicamentosas

A chamada polifarmácia, comum entre idosos, exige acompanhamento rigoroso.

Adicionar um analgésico, anti-inflamatório ou sedativo sem avaliação pode alterar a pressão arterial, afetar rins e fígado ou interferir em tratamentos cardiovasculares, diabetes e distúrbios neurológicos.

O problema nem sempre aparece imediatamente. Às vezes, os efeitos são silenciosos e cumulativos.

O risco da informalidade no cuidado

Em ambientes coletivos, é comum ouvir frases como:

“Foi só um remedinho para dor.”
“Ele já tomou isso antes.”
“Não precisava falar com o médico.”

Esse tipo de decisão informal fragiliza a segurança do cuidado. Sem registro adequado, o profissional responsável pode não saber que houve mudança na rotina medicamentosa.

A falta de comunicação compromete a continuidade e a segurança do tratamento.

Como reduzir os riscos?

Algumas medidas ajudam a tornar o cuidado mais seguro:

  • Manter lista atualizada de todos os medicamentos em uso

  • Registrar qualquer novo sintoma antes de medicar

  • Evitar compartilhar medicamentos entre moradores

  • Consultar sempre um profissional de saúde antes de introduzir algo novo

  • Organizar horários e responsáveis pela administração

Rotina estruturada não é burocracia. É proteção.

Autonomia com responsabilidade

Promover autonomia em ambientes coletivos não significa permitir decisões isoladas sobre medicamentos. Significa oferecer informação, orientação e acompanhamento adequados.

A constância no tratamento e o uso seguro dos medicamentos são pilares para evitar internações e complicações.

Em contextos de cuidado compartilhado, segurança deve vir antes da praticidade.

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Pressão normal no consultório, alta em casa?
Pressão normal no consultório e alta em casa pode indicar hipertensão mascarada. Entenda o que isso revela e como medir corretamente.

Pressão normal no consultório, alta em casa?

Receber a informação de que a pressão arterial está normal durante a consulta médica traz alívio. Mas e quando, em casa, os números aparecem mais altos com frequência? Essa diferença pode revelar algo importante sobre a saúde cardiovascular.

Nem sempre a pressão medida no consultório conta toda a história.

O que é hipertensão mascarada?

Quando a pressão está normal na consulta, mas elevada no ambiente domiciliar, pode estar ocorrendo o que se chama de hipertensão mascarada.

Nesse caso, o paciente apresenta valores adequados diante do profissional de saúde, mas fora dali mantém níveis acima do recomendado. Como muitas decisões clínicas se baseiam nas medições feitas em consultório, o risco pode passar despercebido.

É o oposto do chamado efeito do avental branco, em que a pressão sobe apenas na presença do médico.

Por que isso acontece?

Vários fatores podem explicar essa diferença:

  • Estresse da rotina diária

  • Ambiente de trabalho

  • Conflitos ou sobrecarga emocional

  • Falta de sono

  • Consumo excessivo de sal

  • Uso irregular de medicamentos

No consultório, a pessoa está sentada, em repouso e em ambiente controlado. Em casa, a medição pode refletir a realidade do dia a dia.

Por que isso é preocupante?

A hipertensão mascarada está associada a maior risco de eventos cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral. Como não é identificada facilmente em consultas pontuais, pode permanecer sem tratamento adequado.

A pressão alta, mesmo sem sintomas, continua sobrecarregando o coração e os vasos sanguíneos.

A importância da medição domiciliar

Medir a pressão em casa, com aparelho validado e técnica correta, ajuda a identificar padrões. O ideal é realizar as medições em horários semelhantes, após alguns minutos de repouso, evitando falar ou se movimentar durante o processo.

Registrar os valores e levar ao médico permite uma avaliação mais completa.

Em alguns casos, o profissional pode solicitar a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial, exame que acompanha os níveis por 24 horas.

O papel da regularidade no tratamento

Diferenças entre as medições também podem indicar falhas na adesão ao tratamento. Atrasos frequentes na medicação, esquecimentos ou ajustes por conta própria impactam diretamente os resultados.

Constância no horário e na dose é parte essencial do controle da hipertensão.

Conclusão

Ter pressão normal no consultório não garante que ela esteja controlada ao longo do dia. Quando os valores em casa são mais altos, o corpo pode estar dando um sinal silencioso.

Monitorar regularmente, manter a rotina organizada e seguir orientação médica são atitudes que fazem diferença na prevenção de complicações cardiovasculares.

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Oscilações silenciosas da glicemia: quando o corpo não avisa
Oscilações silenciosas da glicemia podem ocorrer sem sintomas. Entenda os riscos das variações no diabetes e como manter maior estabilidade no dia a dia.

Oscilações silenciosas da glicemia: quando o corpo não avisa

Nem toda alteração da glicemia provoca sintomas imediatos. Em muitas pessoas, especialmente em quem vive com diabetes, as variações nos níveis de açúcar no sangue podem acontecer de forma silenciosa. O problema é que, mesmo sem sinais claros, essas oscilações continuam impactando o organismo.

Entender como elas acontecem é essencial para evitar complicações a longo prazo.

Nem toda alteração causa sintomas perceptíveis

É comum associar glicemia alta ou baixa a sintomas como tontura, sudorese, tremores ou visão turva. No entanto, nem sempre o corpo reage de maneira evidente.

Algumas pessoas desenvolvem o que os profissionais chamam de hipoglicemia assintomática. Outras convivem com hiperglicemias leves e frequentes sem perceber mudanças significativas no bem-estar imediato.

Isso pode criar uma falsa sensação de controle.

Por que o corpo pode deixar de avisar?

Quando episódios de variação glicêmica se tornam frequentes, o organismo pode se adaptar parcialmente a esses níveis alterados. Com o tempo, os sinais de alerta diminuem.

Além disso, fatores como uso de certos medicamentos, tempo de diagnóstico do diabetes, idade avançada e alterações neurológicas podem reduzir a percepção dos sintomas.

O resultado é que a glicemia sobe ou desce sem que a pessoa perceba.

O impacto das oscilações frequentes

Mesmo que não causem sintomas imediatos, as variações constantes podem trazer consequências importantes, como:

  • Maior risco cardiovascular

  • Comprometimento da função renal

  • Alterações na visão

  • Danos neurológicos

  • Dificuldade de estabilizar o tratamento

O problema não está apenas nos picos isolados, mas na repetição dessas oscilações ao longo do tempo.

O papel da rotina na estabilidade glicêmica

A estabilidade da glicemia depende de um conjunto de fatores. Alimentação, prática de atividade física, qualidade do sono, uso correto da medicação e controle do estresse influenciam diretamente nos níveis de açúcar no sangue.

Pequenas mudanças na rotina, como atrasar uma refeição, alterar o horário do medicamento ou pular um lanche, podem gerar variações que passam despercebidas.

Por isso, constância é uma palavra-chave no controle do diabetes.

Monitoramento é proteção, mesmo sem sintomas

Confiar apenas na percepção do corpo pode ser arriscado. O monitoramento regular, seja por meio de glicemia capilar ou sensores contínuos, permite identificar padrões e ajustar o tratamento de forma mais precisa.

Acompanhamento profissional periódico também é fundamental para avaliar se o plano terapêutico está adequado.

Conclusão

Quando o corpo não avisa, o cuidado precisa ser ainda mais atento. As oscilações silenciosas da glicemia podem não causar desconforto imediato, mas continuam afetando a saúde.

Manter regularidade na rotina, seguir corretamente o tratamento e monitorar os níveis de glicose são atitudes que fazem diferença na prevenção de complicações e na qualidade de vida.

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Cansaço persistente: quando o problema não está nos exames
Exames normais, mas cansaço constante? Entenda as possíveis causas da fadiga persistente e quando é hora de investigar além dos resultados laboratoriais.

Cansaço persistente: quando o problema não está nos exames

Sentir cansaço ocasional é algo esperado. No entanto, quando a exaustão se torna constante, mesmo após noites de sono e com exames aparentemente normais, surge uma dúvida comum: se está tudo dentro do padrão, por que o corpo continua esgotado?

A resposta nem sempre aparece em um único resultado laboratorial.

Exames normais não significam ausência de problema

Os exames de rotina avaliam marcadores importantes, como anemia, alterações hormonais, glicemia e função da tireoide. Quando esses resultados estão normais, muitas pessoas entendem que está tudo bem.

O cansaço, porém, costuma ter múltiplas causas. Ele pode estar relacionado a fatores que não aparecem de forma evidente nos exames tradicionais, como privação crônica de sono, estresse prolongado, ansiedade, sobrecarga emocional, sedentarismo, alimentação desequilibrada e desidratação leve e constante.

O organismo pode estar dentro dos limites laboratoriais e, ainda assim, funcionando sob desgaste contínuo.

O impacto do estresse silencioso

O estresse persistente mantém o corpo em estado de alerta. Hormônios como o cortisol permanecem elevados por mais tempo, o que pode gerar sensação de fadiga, dificuldade de concentração e queda de energia ao longo do dia.

Nem sempre a pessoa percebe que está estressada. Muitas vezes, a única manifestação é o cansaço frequente.

Sono de baixa qualidade também esgota

Dormir oito horas nem sempre significa descansar de forma adequada. Sono fragmentado, uso excessivo de telas antes de dormir, ronco intenso ou apneia podem comprometer a qualidade do descanso.

Quando o sono não cumpre sua função restauradora, o corpo acumula fadiga, mesmo que o tempo total de sono pareça suficiente.

Energia não depende apenas de ferro e vitaminas

É comum associar cansaço à anemia ou à deficiência de vitaminas. Embora essas causas existam, suplementar por conta própria nem sempre resolve e pode até mascarar o problema real.

A energia do corpo depende de equilíbrio hormonal, alimentação adequada, prática regular de atividade física, hidratação e estabilidade emocional. Quando esse conjunto não funciona de maneira harmoniosa, o cansaço tende a persistir.

Quando é hora de investigar mais

Se o cansaço dura várias semanas, vem acompanhado de perda de peso, tontura ou falta de ar, interfere nas atividades diárias ou está associado a alterações importantes de humor, é fundamental buscar avaliação médica.

Em alguns casos, pode ser necessário aprofundar a investigação com exames complementares ou acompanhamento multidisciplinar.

Conclusão

Exames normais não significam, necessariamente, energia preservada. Saúde vai além dos números. Envolve equilíbrio físico, mental e comportamental.

Ouvir os sinais do corpo, revisar hábitos e buscar orientação profissional são passos importantes para recuperar disposição e qualidade de vida.

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